segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Envelhecer sem perder o valor



Dom Anuar Battisti 
Arcebispo de Maringá (PR)
Diante da condição do envelhecimento humano acompanha o medo de ser inútil, de se tornar um peso, de viver abandonado, na solidão das ausências daqueles que amamos. Nada mais decepcionante do que chegar ao fim e ter a sensação de que não valeu a pena ter vivido. A vida é um jogo de amor e dor.
Ninguém vive sem amar. Amando fazemos da vida uma constante superação do humano, inclusive da dor, que amada e assumida como própria, se transforma em amor. Como se preparar para viver a complicada sensação de inutilidade? Não existe receita pronta e sim caminhos que durante o passar dos anos vamos aprendendo a percorrer. Nesta escola da vida nem sempre estamos preparados para aprender as lições que a inutilidade nos prepara.
É difícil aceitar o delicado tempo da inutilidade. É preciso viver com dignidade esse terreno perigoso, mas necessário de sentir-se inútil. Uma graça a pedir a Deus é que, quando chegar a velhice e perdermos a utilidade, que tenhamos alguém ao nosso lado que nos ame de verdade.
Só será capaz de amar aquele que depois da inutilidade descobrir o valor da velhice. Nunca seremos valorizados pelo que fazemos e sim pelos que somos. Ninguém, mesmo que tenha construído os mais belos edifícios, escrito as mais belas obras literárias, ter deixado o acervo cultural mais importante, vai ser amado pelo que fez e sim por aquilo que é. O valor não se conquista, ele existe, e por ele vale a pena viver.
Quanto tempo perdido atrás de coisas, de superficialidades, de aparências e máscaras acobertando o que de mais belo possuímos: a capacidade de amar, mesmo na inutilidade da vida. “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca” (Carlos Drumond de Andrade).
De que adianta ganhar o mundo, quando perdemos a eternidade. O eterno só existirá se formos abertos em acolher no difícil terreno da vida, o valor e não utilidade. Será digno da eternidade aquele que for capaz de dizer: “Você não serve para nada, mas eu não sei viver sem você” (Padre Fábio de Melo).

O Mestre Jesus em tom de despedida entrega uma nova lei, resumo de todas as leis: “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei a vocês, vocês devem amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (Jo 13,34-35).
Queira Deus de que ao chegar ao fim, sem ser útil e completamente alheio do momento presente, tenha alguém que seja capaz de nos olhar e dizer: Eu te amo, conte comigo, não sei viver sem você. Envelhecer sim, mas nunca perder o valor.
Fonte: CNBB

domingo, 3 de novembro de 2013

Comunidades reúnem-se para discutir ações em prol da família



Com a finalidade de integrar as iniciativas evangelizadoras em favor da família no Brasil, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família (CEPVF) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoveu, no dia 26 de outubro, um encontro com as famílias das Comunidades de Vida e Aliança do Brasil. O evento aconteceu na casa das Irmãs da Caridade de Otawa, na cidade de Guarulhos (SP), e reuniu representantes de 16 comunidades.
De acordo com o bispo de Camaçari (BA) e presidente da CEPVF, dom João Carlos Petrini, um dos objetivos do encontro foi traçar um cronograma para 2014. “Devemos conhecer as Novas Comunidades para que, por meio de seus carismas e serviços, possamos juntos elaborar uma proposta de trabalho com ações e eventos nacionais”, disse o presidente.
As comunidades presentes assumiram com a Comissão Nacional, representados pelo casal Salete e Luís Flávio Degani (Comunidade Missionária Providência Santíssima - Mococa/SP), o compromisso de caminhar em conformidade com as atividades propostas pela CEPVF.
“A reunião aconteceu num clima de muito entrosamento e harmonia. As comunidades representadas colocaram-se totalmente em comunhão com o espírito do encontro e participaram com afeto e espírito de serviço”, disse o assessor nacional da CEPVF, padre Wladimir Porreca.
No evento, as comunidades presentes concordaram em ter participação mais efetiva no sentido de promover a família cristã, o que inclui: participação e formação na Semana da Família; participação em duas reuniões no ano 2014; dentre outras atividades.
Fonte: CNBB

sábado, 2 de novembro de 2013

Terra Santa: Memória para lá dos monumentos



A presença de peregrinos cristãos na Terra Santa é essencial para a sobrevivência económica de pequenas comunidades árabes e judaicas, em particular nos locais que evocam a vida de Jesus Cristo.
“Na minha aldeia, em Tiberíades, vivemos do turismo: temos empregos, negócios, tudo é mais fácil com a presença de turistas”, disse à Agência ECCLESIA Meer Perez, que há 40 anos trabalha com uma empresa de transporte de passageiros no Mar da Galileia, espaço que evoca a pregação de Jesus e os ensinamentos que deixou aos seus discípulos.
Perez é judeu, mas confessa que já ficou emocionado com a “oração, o choro” de peregrinos, sobretudo quando percebe que está perante pessoas “pobres” que tiveram de poupar durante muito tempo para cumprir o sonho de uma viagem à Terra Santa – num caso que recorda em particular, a poupança cêntimo a cêntimo durou 24 anos.
Lembra também uma violenta tempestade, 15 minutos de ter começado a viagem, que assustou os passageiros, na qual também pediu a ajuda de Jesus, para tentar acalmar quem o acompanhava.
“O Mar da Galileia dá-lhes algo, vê-se, todas as igrejas à volta e os locais onde ele pregou são especiais. Se é significativo para mim, acredito que seja muito mais para eles [peregrinos cristãos]”, refere.
Amir Bellah, cristão, nasceu em Nazaré e confessa que a ligação à terra de Jesus é especial, porque está presente na vida de milhões de pessoas em todo o mundo, algo “muito importante” para si.
“Aqui podemos sentir o amor que temos uns pelos outros, reunirmo-nos, como Jesus fez no Mar da Galileia”, refere, ao leme do barco que transporta peregrinos nesse lago.
A preservação da memória dos chamados Lugares Santos, que está confiada à Custódia franciscana, passa por isso não tanto pela preservação dos vários monumentos que assinalam a ligação dos espaços a Jesus e os apóstolos, mas pela memória viva que as atuais comunidades cristãs – uma minoria entre muçulmanos e judeus – para além das situações difíceis em países como a Síria, o Egito ou o Iraque, entre outros.
A intenção é repetida por frei Miguel de Castro Loureiro, comissário da Terra Santa em Portugal, que acompanha até quinta-feira uma peregrinação à região.
“A grande preocupação é tentar que os cristãos se mantenham nas suas comunidades e nesta terra”, sustenta.
Um esforço para o qual os católicos são chamados a colaborar anualmente, por indicação do Vaticano, com o ofertório da celebração de Sexta-feira Santa.
Fonte: Agência Eclésia