quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mar Morto tem redução histórica em consequência de exploração industrial


O Mar Morto está encolhendo em taxas recordes, em consequência dos trabalhos de exploração feitos pela indústria de fertilizantes. A redução chegou a 1,5 metro nos últimos 12 meses, caracterizando a situação como o maior declínio já registrado desde 1950.

Duas empresas do ramo de fertilizantes são apontadas como as principais culpadas pelo problema: Israel Chemical Ltda. (ICL) e Jordan’s Arab Potash Co. (APOT), de acordo com Gidon Bromberg, diretor da ONG israelense Amigos da Terra do Oriente Médio.

Os fabricantes de potássio, uma das matérias-primas utilizadas em fertilizantes, competem pelas águas com a indústria do turismo há anos. O Mar Morto é um dos destinos mais procurados por quem visita o oriente médio, atraindo em 2011, 857 mil turistas. A agricultura local também depende das águas do mar mais salgado do mundo.

Para se defender das acusações, a Israel Chemicals informou que não aumentou a quantidade de água bombeada do mar e atribuiu a redução aos bombeamentos históricos, feito ao longo de milhões de anos. A empresa utiliza de 150 a 170 milhões de metros cúbicos de água proveniente do Mar Morto todos os anos.

O Ministério da Jordânia informa que a preservação do mar é fator essencial. “Estamos empenhado em fazer tudo o possível para preservar o Mar Morto, que está encolhendo anualmente”, declarou o porta-voz do Ministério, Issa Shboul à Bloomberg.

Segundo ele, as empresas são incentivadas a adotarem tecnologias mais recentes e que causem menos impactos à natureza. Bromberg, diretor da ONG Amigos da Terra do Oriente Médio, explicou que o déficit anual do Mar Morte é de 700 milhões de metros cúbicos de água.

Fonte: CicloVivo

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Artigo: O homem, este mistério

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)
No dia 11 de outubro passado, a Praça de São Pedro recordou um dos momentos memoráveis da história da Igreja Católica no século XX: a abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, ocorrida nesse mesmo dia de outubro, em 1962.

Um dos pontos salientes do Concílio foi a sua rica antropologia, que recolheu o pensamento cristão amadurecido durante séculos e que desejo retratar aqui, com breves acenos. Entre as primeiras perguntas da filosofia estão as que se referem ao próprio homem: quem, afinal, é o homem? Que sentido tem sua vida? Quanto vale cada ser humano em particular?

As guerras e as tragédias humanitárias da primeira metade do século XX haviam ferido e desfigurado profundamente a imagem do ser humano, que precisava ser restaurada. A Declaração Universal dos Direitos do Homem, da ONU, representou uma síntese do esforço comum feito pela comunidade política, para afirmar a dignidade e os direitos humanos; para ela contribuíram varias correntes do pensamento filosófico e religioso da humanidade, incluindo o pensamento católico.

O Concílio Vaticano II, porém, deu origem a uma verdadeira “virada antropológica” na reflexão teológica e filosófica católica e na própria vida prática da Igreja; e isso foi traduzido numa atenção muito especial para com o ser humano. Não é que a Igreja Católica, enquanto religião, tenha deixado de lado Deus, como referencial primeiro e último da religião: ao contrário, foi por causa de sua convicção sobre Deus, e por levar Deus plenamente a sério que a Igreja passou mais às conseqüências de sua fé no trato com o ser humano. O próprio ensinamento de Jesus já resumiu toda a Lei de Deus no duplo e inseparável amor – a Deus e ao próximo. E o apóstolo São João questionava com veemência quem já o havia esquecido: “irmãos, como pode alguém dizer que ama a Deus, a quem não vê, se não ama ao próximo que vê?”

A antropologia decorrente da fé cristã vem dos textos bíblicos, onde se aprende que Deus tem um olhar de predileção por todo ser humano; tendo-o criado “à sua imagem e semelhança”, confiou-lhe também parte na responsabilidade sobre o “jardim”, onde se encontra toda sorte de criaturas. O próprio homem, tomando consciência da distinção com que é tratado pelo Criador no meio das demais criaturas, cheio de estupor, numa noite de céu estrelado, exclama: “Senhor, como é grande o vosso nome em todo o universo! Que é o homem, para que dele vos lembreis? Um filho de homem, para que vos ocupeis com ele tanto assim?!” (cf. Sl 8).

A síntese da antropologia cristã foi expressa de maneira singular na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (nº 22), do Concílio Vaticano II, e recebeu grande contribuição de filósofos, como Jacques Maritain e Edith Stein, e teólogos, como Henri Delubac e Hans Urs Von Balthasar; nela, foi trazida novamente à tona a sua fonte inspiradora e referência primeira, que e o mistério da “humanidade de Deus”, manifestado ao mundo em Jesus Cristo. Já perguntavam os teólogos antigos: por que o Filho de Deus se fez homem? E a resposta mais extraordinária é esta: por puro amor ao homem e para lhe mostrar quanto valor ele tem.

O papa João Paulo II gostava de repetir esta afirmação do Concílio: em Jesus Cristo, Deus revelou plenamente o homem ao próprio homem! A fé cristã, por isso, tem um conceito muito elevado do ser humano, base para a afirmação de sua dignidade e de seus direitos inalienáveis. Nada do que é autenticamente humano deixa de ter importância para a relação do homem com Deus; e os seus anseios de liberdade, paz, felicidade e realização plena devem ser levados plenamente a sério.

Cada ser humano é pessoa, é única e irrepetível. E cada pessoa è uma consciência, uma liberdade, uma individualidade, uma subjetividade. Nada mais contrário à visão cristã do ser humano do que a massificação despersonalizante, onde os seres humanos somam números em vez de rostos e são apenas representados em estatísticas. Nem corresponde à visão cristã do homem que sua força motivadora maior seja a inimizade contra o outro homem – “homo hominis lupo”. Cada ser humano tem uma história pessoal e uma contribuição a dar ao bem comum. O amor é, de fato, a força maior que une e harmoniza as relações humanas.

Algumas vertentes do pensamento moderno e contemporâneo têm Deus como o grande obstáculo à felicidade do homem que, por isso, deveria tirá-lo de seu caminho para ser feliz. Para a antropologia cristã, ao contrário, Deus é a condição de possibilidade para o sentido da existência humana; sem a referência a Deus, o homem permanece um enigma, fechado na estreiteza de seu próprio horizonte, nunca suficientemente largo e luminoso para justificar suas aspirações e buscas de felicidade.

O homem não é fruto de um acaso cego, mas deve sua origem a um querer amoroso de Deus; nem é prisioneiro de forças externas, que o enredam em tramas favoráveis ou adversas, das quais ele não se pode livrar. Ele é livre e capaz de viver com sentido e de alcançar a felicidade e a paz, quando acolhe o desígnio de Deus e colabora de maneira responsável na sua obra, quer na vida pessoal, quer na vida social e no cuidado do mundo. O homem é chamado a ser colaborador livre e responsável com Deus e aqui está o fundamento último da vida moral.

A vida do homem não se esgota neste mundo, feito ainda de realidades contingentes e precárias; ele próprio também está sujeito a essa precariedade, mas é chamado à vida em plenitude, junto de Deus. De fato, desde agora, o homem já é capaz de acolher a manifestação de Deus, conhecendo de alguma forma o seu ser, seu desígnio de amor e salvação e de sintonizar com ele. E aqui está o fundamento maior de sua dignidade.
 
Fonte: CNBB

domingo, 28 de outubro de 2012

Em um dia 22 de outubro, 34 anos atrás, tinha início o pontificado de João Paulo II. Naquele ano, 1978, o Brasil começava a sair do regime: o Presidente Ernesto Geisel decretava o fim do AI5, maior instrumento jurídico de repressão política, criado 10 anos antes pela ditadura militar, nascia na Inglaterra o primeiro bebê de proveta do mundo; e nós conhecíamos o primeiro PC, o computador pessoal. Apenas 33 dias após ter sido eleito, em 28 de setembro morria o Papa João Paulo I

As relíquias do Beato Papa João Paulo II serão levadas a Lourdes em ocasião da peregrinação que organiza a União Nacional Italiana para o Transporte de Doentes a Lourdes e aos Santuários Internacionais (UNITALSI) do dia 21 ao 27 de outubro.

Desta maneira, a festa estabelecida para a celebração do Beato Wojtyla na diocese de Roma e em algumas outras dioceses que pediram para celebrar também, em 22 de outubro, foi acompanhada por estas relíquias em Lourdes, onde está um dos Santuários Marianos mais importantes do mundo no qual Santa Bernardette Subirous viu à Mãe de Deus em diversas aparições em 1858.

O Arcebispo Zygmunt Zimowski, Presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Agentes Sanitários, foi quem concedeu à UNITALSI a permissão de levar ao santuário Mariano o relicário com a ampola do sangue de João Paulo II para que possa ser visto e venerado pelos peregrinos de todo o mundo.

O presidente da Unitalsi, Salvatore Pagliucca, declarou à Rádio Vaticano que no Ano da fé e durante o Sínodo sobre a Nova Evangelização "um tema que preocupava muito a João Paulo, (...) que continua influenciando a Igreja e as pessoas, (...) a presença do relicário do Beato nesta peregrinação é um sinal com grande significado".

"Representa a presença das suas ideias, dos seus sentimentos, a presença, sobretudo, do amor que deu, como homem e como pastor a todas as pessoas, aos fiéis e em particular aos doentes e deficientes", acrescentou.

O Papa Bento XVI beatificou a João Paulo II no dia 1º de maio de 2011 ante 1 milhão de pessoas de distintas partes do mundo à Praça de São Pedro no Vaticano. Esse dia estabeleceu que sua festa se celebraria em Roma cada 22 de outubro.

Fonte: ACI Digital