segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pensar e realizar o que é certo

Nas primeiras páginas do livro da criação (Cf. Gn 1-4), o autor sagrado expôs com perspicácia a sabedoria como Deus criou o mundo e nele introduziu, ao final da luminosa descrição poética e profundamente religiosa, o homem e a mulher, feitos à sua imagem e semelhança, com inteligência e liberdade. Deus, fonte de todo bem, viu que tudo era muito bom (Gn 1,31). Começou a aventura da liberdade!

Muitas pessoas foram convocadas por Deus a participarem da construção de uma história de salvação. Noé encontrou graça aos olhos do Senhor (Gn 6,8), quando a terra estava cheia de violência (Gn 6,13). Abraão foi escolhido e chamado por Deus (Gn 12), também Moisés (Ex 3), Samuel (1 Sm 3), Isaías (Is 6) e Jeremias (Jr 1), ao lado de tantos outras pessoas, que aprenderam, no meio de luzes e sombras, a discernir a voz do Senhor. E ainda foram muitas as histórias de infidelidades, pecados, traições, nas quais um povo de cabeça dura (Ex 32,7-14; Atos 7, 51) voltou atrás, depois de se decidir pelo seguimento da palavra do Senhor. E Deus, em sua misericórdia, sempre estava aberto para o perdão.

Na plenitude dos tempos (Gl 4,4), foi chamada uma jovem, quem sabe, apenas adolescente, a Virgem Maria, na qual o Céu encontrou a mais transparente de todas as respostas (Lc 1-2). Nela a Palavra Eterna de Deus se fez carne. Em nome da humanidade foi o “sim” que a Deus agradou, a contrapartida da humanidade para se realizar a salvação, mãe que fez a vontade de Deus (Cf. Mc 3,34). E veio Jesus Cristo!

Depois dos anos vividos em Nazaré, Jesus vai ao Jordão, acolhe a voz do Pai e a manifestação do Espírito Santo e inicia a pregação do Reino. Jesus chamou os primeiros apóstolos, abriu o leque para convocar o que foram chamados de discípulos, envolveu famílias amigas, como vemos nas visitas a Marta, Maria e Lázaro, teve colóquios de amizade e confidência com Pedro, Tiago e João, olhou com amor provocante e desafiador para muitas pessoas, suscitando nelas a decisão pelo seu seguimento, dirigiu-se às multidões, consolou, curou e perdoou! Ninguém passou em vão ao seu lado!

No correr do caminho, conquistou discípulos e amigos, mas também granjeou reações ferrenhas de seus opositores e esteve com grupos que lhe prepararam verdadeiras armadilhas verbais (Cf. Mc 11-12). Para estupor de todos os que nele depositam a segurança de suas vidas, foi até considerado um homem possuído por Belzebu (Cf. Mc 3,20-35). Sabemos que muitas ciladas foram preparadas para prendê-lo, o que só aconteceu quando chegou a hora de passar deste mundo para o Pai (Jo 13,1). Ele é Senhor da História, mas submeteu-se ao julgamento da própria história, deixando aberta a margem da maravilhosa e terrível realidade da liberdade humana, para que todos os seres humanos possam decidir-se diante dele. Os que se decidem pelo seu seguimento participarão de suas alegrias e também de suas provações ou privações. A eles caberá usar o precioso dom da liberdade, para tomar decisões acertadas, para se erguerem das próprias quedas e assumirem o norte de suas vidas, iluminados que foram pela bússola da fé.

São Paulo, um dos chamados na undécima hora (Gl 1,11-24), fez a experiência da fé em Jesus Cristo (2 Cor 4,13-5,1). Nele é possível encontrar alguns critérios para as decisões a serem tomadas, pois todos nós somos igualmente chamados o seguimento de Cristo, aprendendo a pensar o que é certo e realizá-lo (Oração do dia do IX Domingo do Tempo Comum).

A luz da fé, suscitada pelo seguimento de Jesus, provocado pelo anúncio da salvação, é o horizonte para as decisões. O cristão não é indiferente diante dos cruzamentos das estradas de sua vida. Ele escolhe o que é conforme a Cristo e ao seu Evangelho, sem medo de nadar contra a correnteza. Por causa de sua fé, fala e dá testemunho corajoso (2 Cor 4,13), superando a pusilanimidade que conduz à omissão vergonhosa. Para tanto, sua força está na oração, com a qual experimenta a presença certa daquele Senhor que escolheu para seguir (1 Ts 5,17; 2 Ts 1,11.3,1).

Diante das dificuldades, é sua tarefa vencer o desânimo (2 Cor,16-17) e erguer os que estão caídos. Cabe-lhe sempre tomar a iniciativa! Sabe que os sofrimentos, as dores e a própria morte não têm a última palavra, pelo que se renova dia a dia (2 Cor 4,16) e aposta sua vida no que é invisível e eterno (2 Cor 4,18).
Decisões a partir da fé, oração, iniciativa, coragem diante dos obstáculos, capacidade de olhar para o alto! Nada menos do que a proposta da Igreja para todos e não para um grupo de privilegiados. A decisão está nas mãos de nossa liberdade!
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará

 

Fonte: CNBB

domingo, 17 de fevereiro de 2013

JMJ Rio2013: são mais de 70 mil os voluntários inscritos

Já são mais de 70 mil inscritos. Pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo, mas de maneira especial serão os voluntários chamados “diocesanos” — residentes na cidade-sede ou nas subsedes— a base da “força-tarefa” dos voluntários da Jornada Mundial da Juventude Rio2013. Entre os voluntários inscritos serão selecionados 60 mil, divididos em 45 mil diocesanos (ou seja, aqueles que moram no Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo) e 15 mil divididos meio a meio entre nacionais e internacionais. Da meta de 45 mil estão inscritos 38 mil cariocas. Segundo o Comitê Organizador Local (COL), o número desejado será superado com a prorrogação do prazo de inscrições até 15 de fevereiro, quando serão computados os vários pedidos de voluntários que ainda não foram totalmente processados pelo sistema.

O número previsto para voluntários nacionais e internacionais já foi ultrapassado. O número de voluntários cariocas é uma categoria muito maior que as outras duas anteriores juntas e está em um universo menor. Para completar ainda mais rápido o grupo de jovens do Rio de Janeiro que estará servindo na JMJ está sendo feito levantamento nas paróquias do Rio e cidades sub-sedes para o cadastro de voluntários.

A seleção dos voluntários nacionais e internacionais seguiu critérios mais específicos do que a dos diocesanos. “O Rio abraça a JMJ e só o fato de ser daqui já é como uma convocação para ser voluntário. Além disso, o número é muito maior e o principal filtro é a paróquia em que ele está inserido”, diferencia o diretor do setor, Padre Ramon Nascimento.


Font: Rádio Vaticano

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